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Eleições e a arte de enganar pessoas.

E lá vamos nós, brasileiros, mais uma vez, tirar a cara de trouxa do armário. Mais uma grande oportunidade de, entre nós, perdermos amizades, abalar relações de trabalho, estudo. Tretar com familiares, vizinhos e desconhecidos também: eleições.

Eu cresci ouvindo uma frase durante minha pré adolescência: “o brasileiro não tem memória”. Ouvi muito isso nos tempos passados, ainda com 12 ou 13 anos de idade. E, de verdade, meio século depois, é traumático constatar que o conteúdo dessa frase é muito verdadeiro.

Nos últimos 20 anos, ficou reforçada a idéia, no cidadão brasileiro, da “roubalheira” nos meios políticos em nosso país. No entanto, o mesmo cidadão que proclama essa tal roubalheira ainda permanece cego diante do “produto” desse “roubo” tão proclamado.

Falam de quantias bilionárias em moedas diversas. Imóveis dentro e fora de nossas fronteiras. Contas em paraísos fiscais (e em locais nada paradisíacos também). Veículos importados e raros. Jóias, relógios de marca. Pedras preciosas e semi preciosas. Mas ninguém comenta sobre nosso TEMPO.

Nesse processo de subtração tão proclamada, TEMPO é algo que, uma vez tomado ou subtraído, é irrecuperável. Não existe tribunal ou magistrado que, por força de decreto, lei ou mandado, permita restituir o tempo tomado de alguém – é algo que não tem volta.

Oportuno que eu comente aqui: não, não defendo Bolsonaro. Não, não defendo Haddad. Quem toma meu tempo para mostrar uma vitrine de iniquidades e novidades duvidosas e questionáveis, seguramente não merece minha confiança. Não merece conquistar meu TEMPO. Tempo é um valor que não pode ser restituído após ser subtraído. Nem por força de decreto presidencial. Ou divino.

Eu coleciono em minha memória, uma coleção de eleições. Foram muitos os candidatos que atravessaram minha vida. Vereadores, prefeitos, governadores, deputados (estaduais e federais), presidentes. Tomaram meu tempo fazendo promessas e nada foi cumprido. Junto ao tempo tomado, carregaram sonhos também. Tempo e sonhos, uma vez levados, não voltam.

Hoje, no caminho de tornar-me um idoso, eu me vejo também sem sonhos. Só assistir propaganda eleitoral e notar que a histórica tática de prometer coisas impossíveis é repetitiva demais. Cansa. Enche o saco. Enche tanto o meu saco, esgota minha paciência nos limites… e deixa claro o motivo que me leva a fugir de eleições.

Quem rouba meu tempo e meus sonhos NUNCA VAI MERECER meu comparecimento nessas datas cívicas e festivas: não encontrei até o presente momento, motivo prá comemorar NADA.

Candidatos lutam prá TRANSPÔR O RIO SÃO FRANCISCO. Mundo afora, o Canal de Suez consumiu 10 anos para ser concluído. O Canal do Panamá necessitou de duas etapas básicas: a primeira, tomou 5 anos; quando retomada a obra, foram necessários APENAS 10 anos para conclusão da obra. Fácil perceber que a transposição sobreviveu durante govêrnos militares e civis, sem ser concluída.

Fico imaginando obras do porte das pirâmides egipcías. As pontes chinesas modernas. A ponte da Baía de Chesapeake… ah, deixa prá lá… melhor nem comentar.

#meutempoNÃO
#meussonhosNÃO
#fudidosoutravez

né?