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O brasileiro. Na média, com tendências simiescas. Poeticamente insano. Tropicalmente escrôto. E abençoado por Deus… ou por qualquer divindade conveniente. Pois é.

O brasileiro é um tipo estranho. Parece que, ao acordar e ir na direção do espelho, toma contato com uma realidade bem diferente do mundo real em que vive. Olha a imagem refletida e os sentidos notam um certo ar europeu. Um pouco inglês, um pouco francês. Enxerga em si mesmo um toque de perfeição clássica dos alemães. Uma objetividade e afinco perfeccionista dos nórdicos. Uma arrogância de fazer inveja aos orgulhosos espanhóis. Alegria latina… mas… não.

Forte mesmo, vamos notando, nada consegue sobrepujar mesmo outros tons, aromas e toques mais exóticos. Por exemplo, aquele colorido e barulhento (e caótico) caos hindu. Com direito ás justas (???) diferenciações de castas sociais e religiosas. Ou a diligente e bem organizada sociedade que encontramos naquelas terras longínquas da Ásia… Bangladesh, Camboja, Paquistão. Tokelau. Benin.

Por certo, impossível direcionar alguma crítica, nestes tempos, difíceis, em nosso país. Afinal, temos a educação que merecemos. Aliás, temos a educação que escolhemos em votações abertas, diretas, livres. E, lá vem o rótulo modinha predileto e politicamente correto: eleições democráticas. Portanto, não me vejo sendo crítico de porra nenhuma. Estou, sim, sendo apenas um brasileiro exercendo a liberdade democrática de escrever algumas bobagens aqui neste local bancado por eu mesmo.

Não votei em ninguém. Vale dizer que não voto fazem décadas. Por entender que título eleitoral é algo muito perigoso. Não é municiado com metal e pólvora – mas é muito mais perigoso. E as décadas passadas comprovam isso facilmente.

Houve um tempo, passado, onde não podíamos votar para presidente, por exemplo. Empurravam um líder goela abaixo e tá feito. E olha… tentassem reclamar prá ver o resultado. A Globo, por exemplo, sempre fica feliz em relembrar os tempos obscuros e sinistros, onde as torturas, os porões, o submundo, os choques, afogamentos e espancamentos aguardavam os revoltadinhos de plantão.

Havia, no entanto, um outro lado onde o que acontecia era algo longe dessa realidade. Assim… gente que trabalhava (e ganhava pelo trabalho). Envelhecia e se aposentava. Estudava. Eu, ainda pré adolescente, lembro que (acreditem, é verdade) engenheiros construiam coisas que não caíam… algo assim… a passarela Tim Maia que, mais uma vez, veio abaixo nesta semana.

Eu mesmo, criança, fui algumas vezes parar em hospitais. E nossa… ao invés de ser espancado e torturado, fui atendido e saí numa boa, com saúde restabelecida.

Tempos horríveis aqueles. Eu, menor de idade, 11 anos… e já escravizado no trabalho, sendo abusado por empregadores maldosos que me obrigaram a aprender, pasmem, uma profissão. O pior era isto, acreditem: eu ganhava semanalmente por isso. Revoltante. Imaginem, naqueles tempos duros e cruéis… sair de um bairro de periferia e ir de ônibus, o busão, sózinho, até o centro da capital de São Paulo e não ser abusado ou assaltado. Um absurdo.

Tenho muita satisfação em perceber, conforme comparo o passado e o presente, as facilidades atuais. Necessito de uma cirurgia ocular – e após uma rápida triagem inicial, feita em apenas 8 meses entre filas e espera, fui comunicado que logo mais, ao completar 65 anos, eu estarei apto para a cirurgia. Nada daquele processo do passado, onde eu era internado e tratado conforme adentrava o saguão dos hospitais. E devo ser justo… 6 anos passam rápido… em breve consigo ser operado.

Outra satisfação que carrego comigo é a facilidade em obter trabalho. Nos tempos passados, ditatoriais e obscuros, por exemplo, cheguei a ficar 60 dias desempregado. Dá prá imaginar algo assim? Injusto, humilhante. Um desrespeito com um cidadão. Fico feliz em notar que tais afrontas, hoje, são coisas do passado. Tenho grande orgulho em viver nestes tempos de um Brasil maravilhoso, onde saí de um emprêgo em 2016 e neste pequeno espaço de tempo (2019), permaneço desempregado. Orgulho do meu país. Orgulho dos dirigentes do meu país. E sem partidarismo… ORGULHO DE TODOS ELES.

Os tempos e os anos passaram rápido. E vejo com alegria o quanto nossa pátria evoluiu. Vivemos num país onde as cidades são primorosas em segurança. Os menores de idade sim, agora, são jovens livres, distantes dos vícios em que eu me via entrevado. Ao invés do que eu vivia nas escolas, aprendendo bobagens como cálculo trigonométrico, análise sintática, redação… essas tolices… hoje estão libertos e, podemos perceber claramente, estão muito mais cultos – dominam, inclusive, vários idiomas. Eu mesmo só pude aprender mesmo o inglês e o espanhol. E português, claro. E aqui já me desculpo pelos erros que vou cometendo em cada linha digitada. Os atuais jovens são, sincera e verdadeiramente, meu orgulho. Diariamente, acompanho as reformas gramaticais diárias nas mídias sociais, visando estar sempre atualizado.

Facebook, por exemplo, tem proporcionado aprendizado rápido e acessível. Aprendi e aprendo todo dia: conserteza… mim ixplica como faiz… eu fasso… eu ouvo… a gente fazemos. Bom, confesso que a idade prejudica muito essa questão de ficar atualizado com essas regras gramaticais chatas e imprestáveis.

Oportuno, também, ir tomando consciência com informação passada pelas mídias atuais. Vejamos… o eleitor com 16 anos pode votar. Um ato cívico, que, eu suponho, envolve responsabilidade. Mas esse mesmo eleitor, com 16 anos, não pode ser punido no caso de transgressão de leis. Eu, velho e burro, demorei muito para entender e assimilar isso. Dois partidos opostos se unem e indicam candidatos – presidente e vice. Mas quando surge o impedimento do presidente e o vice assume, ninguém escolheu o vice. Novamente o velho burro fica sem entender… uai… se votou na chapa onde haviam dois, qual o motivo da insatisfação?

Neste ano, ainda estou me adaptando a esses novos acontecimentos. O presidente eleito, conforme prometido em campanha, pretende liberar comercialização e porte de armas. Li, pesquisei… mas ao que parece, e no tom que a mídia comunica isso tudo, parece que será obrigatório ter uma arma. Eu, muito burro e velho, havia entendido que ter uma arma seria opção pessoal. E não consigo entender tanta polêmica, visto que armas são usadas em crimes desde que foram proibidas anos atrás. Parece que comemorar ditadura também será obrigatório. Eu já fico perdido, sem entender se haverá obrigatoriedade em soltar rojão ou se vou prêso caso não concorde. Eu, particularmente, não tenho desejo em ir, mas quem quiser ir, bom divertimento.

Minha burrice e velhice já está centrada em algo assim… eu não gosto da Anitta e também não aprecio Pablo Vittar… pergunto… serei obrigado a ir assistir show? Carnaval e desfile de escolas de samba… vão ser obrigatórios? Uau… tremi agora… imaginou assistir Mais Você com aquele papagaio escrôto… nossa…

Tenho ainda muitas dúvidas quanto a política. Venho dedicando muito tempo em estudar com cuidado algumas biografias e alguns fatos históricos das últimas décadas. Pretendo envelhecer em grande estilo – ops… quero dizer… informado, antenado com as novidades e tendências de pensamento modernas que estão em voga. Algo assim… um brasileiro dinamarquês. Acho a Dinamarca muito estilosa. Eles tem um idioma confuso, eu sei. Difícl de aprender. Mas parecem ser gente boa. Minha primeira opção de exemplo era a Suiça, mas abandonei… é um país onde o povo tem muita arma, vive envolvido em tiroteio, conflitos, uma baderna econômica total.

E lá vou eu, tomar meu diazepam e dormir um pouco. Ando desconfiado que esse tratamento psiquiatrico não está muito bom não. Mas em breve, mais dois anos e meio, já tenho retôrno marcado no SUS.

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