Papel higiênico, álcool gel & Novo Coronavírus

Acordei, no último sábado, dia 14, por volta de 10:30 da manhã. Meio sonado e meio passado por conta de medicação… louco por um café. Liguei a televisão e fui preparar o café. Na volta, sintonizei na Globo News. E assim começou meu final de semana.

Na tela, um desfile de “jornalistas” com novidades fresquinhas sobre o covid-19. Sim, por aqui eu grafo covid-19 com minúsculas mesmo, afinal não sou chegado a nomear doenças com iniciais maiúsculas. Um lance que te mata não merece essa benesse de minha parte. Ah, se vc, leitor, não sabe o que é benesse, aconselho o google ou um dicionário tradicional – em papel impresso.

Fui bebericando meu café e ouvindo uma jornalista, com voz irritante (& estridente & desafinada) e um tom de espanto (ou seria pânico… não sei)  informando as “últimas notícias sobre o NOVO CORONAVÍRUS. Entrevistas com médicos surgiam, sucessivas, repetindo explicações sobre comportamentos individuais e sociais… lavar as mãos, evitar contato com pessoas, ficar em casa… evitar festas, confraternizações, locais públicos, locais sem ventilação. Terminei minha caneca de café e já estava ouvindo o quarto especialista dando explicações para as dúvidas da jornalista. 

No último gole do meu café, já mais desperto, percebi que as perguntas se repetiam. E as explicações idem. Usar álcool gel. Lavar as mãos. Não procurar hospitais inutilmente. Evitar contato corporal com pessoas. Não ficar em locais fechados com muitas pessoas. Lavar as mãos com frequência. Usar álcool gel. Lavar as mãos…. e por aí vai.

Mudavam os especialistas, mas as perguntas, não… sempre as mesmas. Fiquei imaginando a decepção dos jornalistas – sim, agora já haviam mais jornalistas fazendo perguntas… as mesmas perguntas para especialistas diferentes – conforme as respostas dos médicos iam se repetindo. Sempre iguais, sempre as mesmas recomendações. Sempre os mesmos comentários… não existe vacina, não existe tratamento especializado, repousar, lavar as mãos, usar álcool gel.

Após 3 horas de aprendizado sobre o NOVO CORONAVÍRUS, eu já me sentia um especialista no assunto, mudei de canal e, para minha surpresa, um telejornal (também do grupo Bobo… ops… Globo), onde constatei que, muito além do álcool gel e da lavagem das mãos, havia outra novidade: o papel higiênico estava se esgotando nas prateleiras de supermercados em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Apavorado, levantei e procurei no apartamento, logo me tranquilizando ao descobrir um fardo fechado na dispensa. Graças a Zeus, eu estava garantido. Respirei aliviado, mas intrigado com o motivo do esgotamento dos estoques de papel higiênico… talvez eu tenha perdido a matéria jornalística que revelou ao mundo que o NOVO CORONAVÍRUS provoca diarréia. Tremi, apavorado, já me imaginando caído no banheiro, todo cagado, agonizando… sem papel higiênico para limpar minha bunda.

E assim foi meu sábado… em busca de informações que explicassem essa ligação entre álcool gel, lavar as mãos com técnicas especiais e papel higiênico. Sem sucesso. Assisti o Datena, sem sucesso. Jornal da Band idem. Jornal Nacional, também sem sucesso. Mas pairava, em todos eles, essa nuvem negra que marcou meu sábado: supermercados sem álcool gel e papel higiênico. Tudo graças ao NOVO CORONAVÍRUS.

Só faltou explicar o motivo dessa minha ênfase sobre o covid-19 e explico. Adotei a forma de referência que a TV Bobo… ops… TV Globo passou a se referir ao covid-19. E tenho quase certeza que o NOVO CORONAVÍRUS é mais perigoso, mais infeccioso e mortal do que o covid-19… afinal, só de ouvir o Boner falar NOVO CORONAVÍRUS, já sinto agonia e arrepios… esse sim é perigoso… 

Pior parte mesmo, nisso tudo, foi acordar no domingo e tudo começar novamente… lavar as mãos, álcool gel, papel higiênico. Acho que, talvez, a gente deva passar álcool gel na bunda com papel higiênico. Algo desse tipo.Misteriosamente hoje, segunda-feira, 16, nada ouvi sobre a falta de papel higiênico. A Bobo News… ops… Globo News não comentou do papel. TV Bobo… ops… desculpem… TV Globo… também não noticiou sobre papel… acho que normalizou o abastecimento de papel. Mas as perguntas idiotas e repetitivas continuam. E as respostas, também.

Resumidamente, talvez o covid-19 não seja o vírus mais mortal do século – mas com certeza é o MAIS CHATO. Puta que pariu… jornalismo de merda esse que estão nos oferecendo.

De bouas? Eu estou torcendo mesmo é para o covid-19.

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