Maio, 10, 2014

Maio eu comemoro sempre, desde 2014, o manto da invisibilidade.

Já são três anos onde experimentei o manto da invisibilidade. E sempre será inesquecível relembrar da sensação obtida com o uso dele. Impressionante.

Folclórico, eu considero, foi ter estreado o meu manto mágico num show musical… Zé Ramalho. Muito além daquele frenesi musical, houve outro fato que não será esquecido tão breve.

Três anos vão servindo como tempo de meditação. No prazo do primeiro ano, certamente, fiquei retido num misto de raiva, ira, ódio. Pouca importância eu acabava dando para algo que se afastasse disso. Sempre raiva, sempre ira, sempre ódio.

Já no segundo ano, outras questões foram tomando frente. Primeiro, claro, o ato presencidado. Em segundo lugar, o possível conjunto de ações que se consolidaram num resultado muito esquisito.

O terceiro ano, no entanto, trouxe questões penduradas. Questões que, de imediato, se encarregaram de afastar tudo aquilo de raiva, ira e ódio. Conforme pude ir relembrando de tudo, pude dar atenção a um fato secundário á invisibilidade que ganhei com o uso daquele manto mágico. Conforme dei atenção ao fato ocorrido enquanto eu estava invisível, deixei de considerar outros pontos: lealdade, honra, honestidade, comprometimento.

Certo que, ainda mais hoje, durante uma crise política e moral em nosso país de merda, tais questões pouco valem. Eu, no entanto, sendo velho, burro e teimoso, continuo enxergando valor e importância nessas bobagens. Deixo claro que, naqueles idos de 2014, fiz um esforço para ir num rumo contrário… afinal, ninguém ligava prá tais bobagens. Feito hoje ainda ocorre.

No momento em que digito este texto, sinto sinceramente que errei feio. Lealdade, honra e honestidade pautam sempre os meus dias e momentos. Pouco adiantou (ou adiantaria) lutar contra isso tudo. Foram tempos ruins, bem sei. Dias insuportáveis em serem transpostos. Mas valeu a pena. Hoje noto que tudo que considerei como “perdido” na verdade foi o oposto. Perdas se traduzem hoje como ganhos. Perdi o amigo. Perdi a mulher. Mas ganhei muito, houve contrapartida. Ganhei com a experiência vivida. Cresci como pessoa. Passei a considerar que lealdade, honra, honestidade e comprometimento são não apenas qualidades – são, antes de mais nada, um mínimo que podemos receber quando o que oferecemos é justamente isso mesmo… lealdade, honra, honestidade, comprometimento.

Vejo que meu erro se resumiu em IMAGINAR que pessoas ao meu redor soubessem o que tais conceitos simbolizam ou significam. Vejo que superestimei pessoas.

Hoje, não mais. Hoje tenho comigo que a balança do caráter deve ser equilibrada. Caráter não se compra em qualquer esquina. Caráter é lance complexo – construímos nosso caráter a cada minuto, em cada ação, em cada relação. Sei bem o valor e a dor em se obstinar a manter esse conjunto.

E considero oportuno, sempre, agradecer pessoas por isso tudo. Agradeço muito ao meu xará (figurante no show) e agradeço muito mais a ela… a personagem principal… a dna. Coisa. Por certo, não houvesse eu passado pela experiência da invisibilidade naqueles tempos passados, por certo eu seria um cara pior.

Obrigado por permitirem que eu tenha progredido nessas questões de caráter. Espero que o tempo, senhor da humanidade, recompensem ambos por tudo isso.

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