Os “Especialistas”. Não, não é filme do Stallone.

Por motivos vários, que não comento aqui, andei afastado de redes sociais. Vale um pequeno detalhe: essa coisa de “social”, “socializar”, “sociedade” (e todas as variantes atreladas) me enojam. Sou um enojado do social. Simples.

Essa coisa (sociedade, social, etc) provocam arrepios. Fica fácil observar isso nas “redes sociais”. Brasileiros, ao que vamos percebendo, são os maiores especialistas contemporâneos. Seja qual for o tema envolvido nas redes sociais, podemos notar um bando de palermas SEMPRE dando opiniões (quase sempre escrôtas) e invocando prá si mesmos uma justificativa (abstrata e onírica) para enfatizar alguma especialização.

Minha bolsa escrotal chegou nos limites quando da posse do Presidente dos Estados Unidos da América neste ano de 2017. Parto de uma premissa simples: eu, não sendo americano, guardo qualquer opinião lá no fundo do meu cérebro e tranco minha boca – no caso do feicibuqui, eu procuro distrair minhas mãos. Prá evitar alguma bobagem por escrito mesmo.

Num momento inicial, notei quantos “especialistas” em política norte americana temos neste nosso grande país. Todos grandes especialistas em História daquele país. Todos conhecedores da Constituição daquele país. Gabaritados nas questões sociais daquele país. Doutorados nas questões Legislativas, Judiciárias e Executivas que ditam aquele país. Lance prá ficar orgulhoso mesmo – pois entendo que ANTES de dar ou emitir opinião sobre eles, o “especialista brasileiro” deva ser, prioritariamente, um grande conhecedor das próprias realidades nacionais. Pois é.

Nossos “especialistas brasileiros” não apenas detém o conhecimento da área política internacional. Não. Claro que não. E não posso deixar de expressar meu orgulho diante da vasta área de conhecimento dos nossos especialistas: tornados, furacões, clima e metereologia global. Políticas de segurança e sistema prisional em países diversos. Acredito que, diante de tanto conhecimento e especialização, devo expressar aqui o meu grande orgulho em ser e me proclamar brasileiro.

Fico sem entender, no entanto, quais motivos justificam as dificuldades e adversidades em nosso país. Dificuldades e adversidades estas, que vamos assistindo nos últimos anos. Bem dizendo, décadas. Nossa sociedade, por exemplo, deve envergonhar os suecos e islandeses, com certeza. Nosso transporte público, bem sei, foi copiado por países como a Suíça. Nossas leis e regras trabalhistas, acredito, são modelo utilizado pela Alemanha, Japão e Coréia do Sul. Noruega e Canadá, seguramente, implantaram seus modelos de educação nas escolas com base no nosso sistema. Nossos sistemas que, claro e óbvio, podem contar com o vasto conhecimento e gabarito dos nossos “especialistas”.

Nossos “especialistas” são consultores maravilhosos. No feicibuqui, fácil constatar, emitem sugestões valiosas em casos como o recente terremoto no México. Azar dos mexicanos que não seguem a valorosa opinião dos “nossos especialistas”. Mais admirável, em tudo, é notar que no Brasil dispomos de serviços especializados de consultoria em praticamente TODAS AS ÁREAS DE CONHECIMENTO.

Tenho e sinto um verdadeiro orgulho pelo nosso sistema de ensino, em todos os níveis. Só que, infelizmente, não.

Eu trocaria, com certeza, todos os políticos empossados por aqui, atualmente, por um conselho grupal de esquimós. Por certo haveria alguma preocupação com o coletivo – e não a preocupação individual de cada um com o próprio saldo bancário. Saldo bancário que, basta ir apreciando as investigações da Polícia Federal, nunca batem com o sensível… podem até mesmo ter respaldo legal ou invocação de legalidade… mas não explica como pessoas conquistaram riqueza individual em questão de duas ou três décadas. Ou, em alguns casos, bem menos. Muito menos tempo, mesmo.

Eu, não sendo especialista em porra nenhuma, só posso dizer isto: a cada dia, em cada hora das 24 que vou vivendo, sinto vergonha. Vergonha do meu país, vergonha dos meus conterrâneos. E me vejo condenado nessa vergonha, pois meu país não oferece condições para que eu vaze daqui. Viva o Brasil.

Né?